JOSIMAR FRANCISCO MOREIRA

VIOLÊNCIA NO AMBIENTE ESCOLAR

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS

UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

LICENCIATURA EM INFORMÁTICA

VIOLÊNCIA NO AMBIENTE ESCOLAR:

VIOLÊNCIA ENTRE OS ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL NO AMBIENTE ESCOLAR DO COLÉGIO ESTADUAL JARDIM VILA BOA

Josimar Francisco Moreira

Márcia Rosa lima

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo refletir as causas da violência na escola e apontar alternativas para reduzir o índice de conduta anti-social, buscando melhorar a convivência entre os alunos. Essa pesquisa foi realizada no Colégio Estadual Jardim Vila Boa com alunos e professores do Ensino Fundamental, nesta ocasião percebemos que o Bullying era o principal fator motivador da violência. A violência existe e é percebida por todos, onde os professores e alunos são ao mesmo tempo vítimas e autores. Diante desta constatação, o trabalho em questão, procura propor medidas que podem ser tomadas a fim de minimizar o problema enfrentado por educadores e educando. Constatamos que o (PPP) da escola não apresentava qualquer projeto ou ação efetiva ao enfretamento da violência no estabelecimento de ensino. Considera-se, que a escola não está preparada para afrontar os diários episódios de violência, pois a mesma não dispõe de ações eficazes para inibir o problema.

Palavras chave: Violência; bullying; escola.

ABSTRACT

The present work aims to reflect the causes of school violence and identify alternatives to reduce the rate of antisocial behavior, seeking to improve the coexistence between students. This survey was conducted in the State College Garden Vila Boa with students and teachers of elementary school, this time realized that the bullying was the main motivating factor in violence. Violence exists and is perceived by all, where teachers and students are both victims and perpetrators. Given this finding, the work in question seeks to propose measures that can be taken to minimize the problem faced by educators and learners. We note that the (PPP) school did not have any design or effective action in coping violence in the school. It is considered that the school is not prepared to face the daily episodes of violence, because it has no effective actions to inhibit the problem.

Key words: Violence, bullying, school.

1. INTRODUÇÃO

A escola carrega como premissa a formação do ser cidadão, preparando-os para exercer a plena cidadania e convivência social. No entanto, podemos ver a manifestação de violência escolar todos os dias, causando grandes problemas relacionais.

No ano de 2012, comecei o estágio no Colégio Estadual Jardim Vila Boa para minha formação acadêmica de Licenciatura em Informática. Esse trabalho levou-me a observar que, mais do que qualquer outro assunto, a violência por parte dos alunos do Ensino Fundamental fazia parte das conversas rotineiras dos professores, com diferentes atribuições de causas. No ano seguinte, não pude deixar de perceber as queixas relacionadas à violência entre os alunos. Um dos problemas mais evidentes nesse ano foi o gradativo aumento de violência principalmente entre as meninas desta escola, trazendo sérias consequências como: desempenho escolar insatisfatório, medo, ameaças, uso de armas, postagens de brigas nas redes sociais, desentendimento de pais, agressões físicas, abandono escolar, transferências, etc.

Diante do exposto acima, este trabalho tem a expectativa de descrever as principais características referentes à violência escolar no Ensino Fundamental do Colégio Estadual Jardim Vila Boa. Assim a base desse projeto será uma pesquisa através de questionário para a coleta dos dados, ou seja, ouvir os profissionais educadores que lidam no cotidiano da escola e alunos, especificamente no Ensino fundamental para saber quais são os principais problemas relacionados à violência no ambiente escolar, procurando apontar soluções para os referidos problemas.

2-VIOLÊNCIA NO AMBIENTE ESCOLAR

A violência representa um dos principais fenômenos gerador de dificuldades no contexto escolar. Essa realidade vem aumentando a cada dia, e ocorre de várias formas, e muitas vezes de maneira bastante “criativa”, causando muito estresse nos alunos, nos pais e professores. Podemos indagar sobre os motivos que levam aos casos de agressões físicas e psicológicas nas escolas: influência das mídias, negligência familiar, maus tratos, abuso sexual, trabalho infantil, abuso de autoridade dos pais, uso de entorpecentes, ingestão de bebidas alcoólicas, falta de regras claras e rígidas da escola, etc. São muitos geradores de atos violentos, fala BRIZA e CLARO:

Temperamento difícil e impulsivo; falta de carinho; violência física ou emocional; ausência de limites ou tolerância excessiva dos pais; excesso de energia mal canalizada; necessidade de experimentar limites até reconhecer os próprios controles; não tolerar frustrações; e deficiências físicas ou mentais ainda não descobertas. (BRIZA E CLARO 2005 P.38)

Conforme o dicionário a palavra Violência significa: “1. qualidade ou ação de violento. 2 constrangimento físico ou moral. Violento. 1. que age com ímpeto, força.energia. 2. Bruto” (LUFT, 2002, p.675). Segundo GILBERTO VELHO (2000), a violência não se limita ao uso da força física, mas à possibilidade ou ameaça de usá-la constitui dimensão fundamental de sua natureza, associando-a a uma idéia de poder, quando se enfatiza a possibilidade de imposição de vontade, desejo ou projeto de um ator sobre o outro. CAMACHO (2001) em estudo no qual procurou investigar a relação entre os alunos, constata que as agressões entre pares são cometidas principalmente nos intervalos entre as aulas, nos pátios, no recreio e nos corredores. Dentre as causas de violência sabemos que existe um instinto geral de agressão nas espécies animais e humanas, mas alguns comportamentos agressivos são adquiridos a partir da observação de modelos, por experiência direta e pressão do grupo, como é o caso da maioria dos adolescentes. Neste sentido, a violência representa um problema que ocorre em todas as escolas, em todos os níveis de ensino, as razões para os comportamentos violentos por parte de alguns alunos são diversas, sobretudo, adquirida através das vivências escolar com os seus colegas de turma, formalizando os próprios modelos de comportamentos violentos e inadequado para a sociedade.

É notável que a violência seja oriunda de problemas externo á escola, como a falta de tempo dos pais para com os filhos, acesso abusivo a imensa variedade de programas, jogos (videogame) e desenhos classificados como livres, mas que na realidade trazem diversas manifestações violentas que acabam servindo como “modelo imitativo” para os jovens.

Para PALMONARI (2004), atualmente a violência é protagonizada por jovens que se agrupam, formando sub-culturas, no seio do tecido urbano, onde se identificam por formas de se vestir, falar, de gostos (preferências), agir, pensar e assim buscam em suas atitudes uma identidade, procurando diferenças contrárias às gerações antecedentes, buscam também, questionar as idéias nas quais a sociedade se fundamenta para manter a ordem e as normas vigentes.

Diante desse conflito que acaba eclodindo em violência é preciso fazer uma análise sobre a relação entre escola-aluno, por exemplo, será que o professor promove ao aluno convivência amigável, sem atribuições de punições, autoritarismo e coações. De acordo com PIAGET,

[...] a cooperação está vinculada à interação a qual requer a formação de vínculos e a reciprocidade afetiva dos sujeitos do processo de aprendizagem. As interações interindividuais possibilitam a modificação do sujeito na sua estrutura e do grupo como um todo, não em caráter somatório, mas em uma perspectiva de formação de um sistema de interações. (PIAGET 1973 P.32).

Como educador é preciso ficar atentos sobre o relacionamento com os alunos, ter cuidado com as formas de chamar a sua atenção e advertiu os seus atos inadequados, assim como deve verificar o contexto social e histórico dos fatos que envolvem o educando na questão da violência escolar. Vejo que o caminho poderá ser trilhado com amor, solidariedade, interações e cooperações com o objetivo de reduzir a violência.

2.2 BULLYNG: CONDUTA VIOLENTA

O bullying são atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetitivos, praticados por um indivíduo denominado bully (valentão) ou por um grupo de indivíduos causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder. RAMIREZ (2001) associa esse conceito de violência ao mecanismo de destruição, de ataque, de força e domínio. O termo Bullyng é de origem inglesa, é um novo conceito que se dá para designar o fenômeno de maltrato, intimidação, atitudes agressivo, uma palavra que descreve grande parte das violências que acontecem no espaço escolar. A prática, considerada por muitos diretores de escola como “coisas de aborrecentes”, coisa que expõe a crueldade dos discentes. Essa forma omissiva dos dirigentes da unidade escolar reflete diretamente no modo dos professores lidarem com o problema.

Normalmente o agressor é considerado o mais “inteligente” do grupo, pois é o que lidera e orienta as atitudes violentas. Aqueles que agridem o fazem para serem aceitos no grupo e de certa forma obedecem por ter medo de ser a próxima vítima, ou seja, é uma forma de defesa. Meninos agem geralmente com força física, enquanto que as meninas, na maioria das vezes, atuam no terror psicológico e são as manipuladoras. Os alunos visados para serem as vítimas normalmente são aqueles que possuem alguma diferença em relação ao grupo, como obesidade, deficiência física, inteligência acima da média ou dificuldades de aprendizagem e podem apresentar um quadro de baixa auto-estima. São reféns do jogo de poder, raramente contam aos pais o que está ocorrendo para evitar uma possível retaliação dos agressores, por temer ameaças. Segundo FANTE (2005), o indivíduo tende a ter um perfil típico, que engloba: timidez, ansiedade, insegurança, falta de habilidades para se impor, medo de denunciar seus agressores, baixa auto-estima, o que a torna vulnerável e passiva à ação do agressor. Muitas vezes, possui alguma característica física ou comportamental marcante, como obesidade, baixa estatura, sardas, não gostar de praticar esportes, dentre outras, o que a destaca e a faz diferente dos demais, despertando a atenção do agressor.

O bullying trás sérias consequências para suas vítimas, tanto no âmbito emocional quanto no desempenho da aprendizagem. Mesmo que a prática seja coibida, os danos podem ser irreversíveis, pois o trauma permanece e gera uma baixa auto-estima na vítima, à capacidade de aprendizado ficam reduzidas, causando dificuldades de concentração, sentimento de inferioridade de incapacidade, podendo carregar esse pesadelo para o resto da vida comprometendo o relacionamento social. A respeito das dificuldades emocionais MARCHESI afirma:

As dificuldades emocionais dos alunos podem alterar suas relações sociais com professores e colegas e dificultar seriamente sua aprendizagem. Entre elas se encontram a percepção da falta de afeto, o isolamento social, a tristeza prolongada, o sentir-se marginalizado e maltratado. (MARCHESI 2006 P.82)

As formas de bullyng são variadas, o que antes era brincadeiras de mau gosto, hoje se dá o nome de bullying. Uma grande arma usada na prática de violência são os meios de comunicação. É comum os agressores mandarem torpedos e e-mails ofensivos para a vítima, fazendo chantagem e ameaças através do site de relacionamentos, acreditando na certeza do anonimato e da impunidade, os agressores se sentem livres para praticar a crueldade online.

Outro fator gerador do bullying é o posicionamento de professores em sala de aula, que podem dar origem as tais manifestações, pois alguns insistem em críticas excessivas do seu aluno, fazer comparações com outros, expondo o aluno em algumas situações de ridículos diante de sua turma, o que deveria ser um combatente de violência, acaba vitimando e agindo com desrespeito ao espaço pedagógico. O professor tem um papel fundamental que é transmitir ao aluno o comportamento ético, que envolve a importância do respeito mútuo, do diálogo, da justiça e da solidariedade, os alunos cabem o papel de entender e cooperar com as ações do professor.

Para melhorar o cenário violento na escola os profissionais da educação devem estar engajados no processo, comprometidos com a elaboração e desenvolvimento de debates, palestras, campanhas, trabalhos específicos, parceria com a família e com demais profissionais, dentre outros, para que, futuramente, possam se orgulhar do ambiente sadio e pacífico que estimularam dentro do ambiente escolar.

3- METODOLOGIA

Para a realização deste artigo foi adotada uma metodologia que permitisse uma abordagem qualitativa do objeto de estudo. Assim, a campo fiz uso de documentos da escola como o Projeto Político Pedagógico (PPP), atas, observações e questionários com professores e alunos do Ensino Fundamental. LUDKE e ANDRÉ (1986, p. 12), afirma:

Há sempre uma tentativa de capturar a “perspectiva dos participantes”, isto é, a maneira como os informantes encaram as questões que estão sendo focalizadas. Ao considerar os diferentes pontos de vista dos participantes, os estudos qualitativos permitem iluminar o dinamismo interno das situações, geralmente inacessíveis ao observador externo. (LUDKE E ANDRÉ 1986, P. 12).

As observações foram realizadas no turno vespertino com alunos do Ensino Fundamental, durante duas semanas, acompanhei a entrada, o recreio, as aulas e a saída dos alunos. Também analisei os documentos da coordenação, ou seja, a ata com registro das advertências realizadas até o momento, e o Projeto Político Pedagógico.

Neste sentido, fiz um levantamento dos alunos que mais possuíam advertências e os que mais sofreram com a violência na unidade escolar, dentre estes alguns foram convidados a responder o questionário, garantindo confidencialidade sem necessidade de identificação; em média 120 alunos forneceram dados que comprovaram o Bullyng como principal conduta de violência. Os professores também responderam questionário com intuito de nos mostrar seus posicionamentos ou ações frente ao problema investigado.

4- RESULTADOS E DISCUSSÕES

Para entender melhor o fenômeno da violência escolar é preciso investigar com o olhar de educador, pois são as principais pessoas a presenciar os atos de violências no ambiente escolar e que possa falar e descrever com propriedade. Sendo assim, foi aplicado um questionário onde dez (10) professores com mais de um (1) ano de experiência em educação no Colégio Estadual Jardim Vila Boa, tiveram a oportunidade de relatar os fatos mais comuns ocorridos naquela escola.

Também responderam o questionário vários alunos que demonstravam serem as principais vítimas e os principais agressores. Atendendo os objetivos propostos neste artigo foi desenvolvida uma pesquisa qualitativa, que de acordo com REIS (2008, p.57) “tem como objetivo interpretar e dar significados aos fenômenos analisados”. Nesta perspectiva serão ilustrados através de gráficos os resultados do trabalho levantado por mim os tipos mais comuns de violência, as causas e suas consequências.

Os principais tipos de violência no Colégio Estadual Jardim Vila Boa Gráfico 1 – Tipos de violência escolar citadas pelos professores e alunos pesquisados.

Fonte: pesquisa de campo 2013

As principais causas de violência no Colégio Estadual Jardim Vila Boa

Gráfico 2 – Causas de violência escolar citadas pelos professores e alunos pesquisados.

Fonte: pesquisa de campo 2013.

As principais consequências de violências no Colégio Estaduais Jardim Vila Boa Gráfico 3 – Conseqüências de violência escolar citadas pelos professores e alunos pesquisados.

Fonte: pesquisa de campo 2013

O quadro de violências analisado com alunos do Ensino Fundamental do Colégio estadual Jardim Vila Boa, revelou que são caracterizadas por intimidações, agressões físicas e verbais, ameaças, chantagens, exposição ao ridículo, etc... Consta que os fatos ocorrem principalmente entre as meninas, pois facilmente agridem suas colegas adotando atitudes de exclusão, apelidos, chantagem, persuasão, humilhação, difamação onde denigrem a vítima pelas redes sociais, risos e olhares intimidadores. Essa atitude tem o objetivo de manipular as relações sociais a fim de causar maior prejuízo para as vítimas. Não raro presenciar insultos verbais, que geralmente ocorre quando a vítima tenta de alguma forma enfrentar a situação.

Foram encontrados nos registros da escola relato de situações de agressão física, alunos que utilizaram armas brancas, faca, estilete, chegando a ferir colega. Outra situação comum é a busca de “reforço de amigos” extra-escola para intimidar e agredir os colegas. Portanto, em várias situações houve a necessidade de intervenção policial, pois teve situação de ameaças de morte. É possível que esta conduta utilizada pelas meninas, seja pelo fato de, como aponta LISBOA (2005) as relações sociais íntimas, para as meninas, são mais importantes que para os meninos, visto que elas tendem a dar maior valor sobre o retorno que os outros têm de si.

Em relação aos professores, a ideia presente na maioria das respostas é que os comportamentos mais relacionados ao bullyng entre os alunos são as intimidações, apelidos, exclusão e ameaças verbais. No entanto, nem sempre foram tomadas atitudes necessárias acreditando em se tratar de coisas corriqueiras e passageiras entre adolescentes. Fica claro que a maior parte dos professores, apesar de ter compreensão sobre o Bullying, demonstra indiferença, e em alguns casos são autores ou reforçam tais comportamentos, pois partem deles os apelidos e brincadeiras que desencadeiam a violência posterior.

Consideramos que as desavenças são comuns, mas existem os casos que podem prejudicar e trazer sérias consequências, por isso GUARESCHI sugeri que:

É indispensável uma relação respeitosa entre alunos e professores, de forma a garantir possíveis trocas de ambas às partes e liberdade de expressão aos alunos. Muitas escolas promovem atividades e jogos em grupo como rodas de conversas, nas quais os alunos possam expor suas idéias sobre diferentes assuntos, incluindo violência, preconceito e exclusão. (GUARESCHI 2008 P.17).

Vale salientar que, tanto os professores quanto os alunos entrevistados têm entendimento sobre o problema, pois todas as respostas estavam nítidas a consciência da violência na escola. Mesmo assim a violência persiste no ambiente escolar Por esta premissa, é preciso o interesse e comprometimento da escola, dos professores, dos alunos e da família, na busca de método que sejam eficazes, para minimizar essa violência. Não se pode ignorar a violência ou amenizar seus efeitos sob ares de normalidade e acomodar de modo a nada fazer para ver como é que fica.

É sugestivo desenvolver um trabalho com as famílias, analisando as habilidades ou dificuldades que eles têm no seu convívio social, encorajar os alunos a conhecer seus direitos e deveres, conhecer o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a participarem de ações antiviolência através de teatros, música, poesias e dinâmicas em grupo, a fim de adquirir habilidades para lidar com a diversidade social.

Cabe ressaltar que os professores deve utilizar a mídia como instrumento pedagógico em sala de aulas, uma vez que esta possui uma linguagem mais atraente e dinâmica que combinam os sons, as letras de diversas formas, cores, imagens e palavras, que despertam o interesse dos alunos. No entanto, este poderoso veículo de comunicação, devido a seu poder de prender a atenção e fazer parte da vida das pessoas, não pode ser descartado enquanto instrumento de intervenção social para formação integral do cidadão.

5- CONSIDERACÕES FINAIS

Como foi informada na introdução deste trabalho, essa pesquisa teve como objetivo identificar as características da violência e discutir ações que possam ajudar melhor a convivência escolar entre os alunos.

O estudo apontou que a maioria das situações de bullying na escola foi relacionada entre as meninas dentro da sala de aula mesmo com a presença do professor, em alguns casos, pouco tenha feito para conter tal situação, diante das circunstâncias levo a crer que alguns professores não perceberam as dimensões das consequências desses episódios nas vidas de seus alunos vítimas dessa violência.

A perda da autoridade dos pais perante os filhos, a transferência de responsabilidade para a escola no que se refere à educação, inclusive a moral dos filhos, ou seja, a desestruturação da família é um dos principais fatores da violência.

Foram constatados que na escola onde o estudo foi realizado, a violência existe e é percebida por todos, onde os professores e alunos são ao mesmo tempo vítimas e autores.

A inexistência de políticas pedagógicas que busque reduzir a prevalência de bullying na escola e que conscientize professores e alunos da importância de reduzir o bullying mostrou extrema urgência de intervenção, através de reflexões, dinâmicas para a redução de comportamentos agressivos entre os alunos e professores.

Desse modo, vale ressaltar que não se podem fechar os olhos e nem mesmo negar o fenômeno da violência escolar, mas é de suma importância que seus agentes tenham conhecimento das diversas formas e características dessas violências de modo a combatê-la de maneira adequada. A educação sempre dependerá da articulação de duas instituições fundamentais: a escola e a família. Todavia, é preciso que essas instituições despertem o quanto antes para o enfrentamento dessas violências diárias na escola, violências essas, que impossibilitam a prática pedagógica e consequentemente oportunizam o déficit no processo de ensino aprendizagem.

A escola deve fomentar entre os estudantes a convivência pacífica, ensinando-os a conviver com as diferenças, respeitando o espaço, posição social, cor, religião, entre outros, combatendo todo tipo de discriminação.

Dessa forma, sugiro a intensificação de estudos relacionados ao assunto e o desenvolvimento de ações e programas que envolvam a comunidade escolar (educadores, pais, alunos, funcionários), em parceria com o Conselho Tutelar e demais órgãos ligados à proteção da criança e do adolescente.

Espero com esse trabalho de pesquisa, ter contribuído com a ampliação e a reflexão sobre a importância do papel do professor frente ao bullying e de suas atitudes perante os alunos, assim termos suscitado o interesse e a curiosidade de educadores sobre esse tema de tamanha complexidade e evidente em nosso cotidiano escolar

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRIZA, Lucita, DEL CLARO, Pricila. Aluno agressivo? Ele precisa de afeto e de limites. Revista Nova Escola, ed. abril, São Paulo, ago 2005, p. 38.

CAMACHO L.M.Y. A violência nas práticas escolares de adolescentes. ANPED, GT Sociologia da Educação, 2001. 1 CD-ROM.

Estatuto da Criança e do Adolescente: 6ª edição revista e atualizada, Brasília 2009 – Editora do Senado Federal.

FANTE C. Fenômeno bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. 2ª ed. Campinas/SP: Veru; 2005.

GUARESCHI, A. P. SILVA, M. R. da. (Coord.) Bullyng Mais Sério do que se imagina. 2ª. ed. Porto Alegre: Mundo Jovem, EDIPUCRS, 2008.

LISBOA, C. S. M. Comportamento agressivo, vitimização e relação de amizade entre crianças em idade escolar: fatores de risco e proteção. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento, Instituto de Psicologia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, Brasil, 2005.

LOPES NETO, A. A. Bullying: Comportamento Agressivo entre Estudantes. Jornal de Pediatria, (Rio J.) nº. 81, nº. 5 suppl. Porto Alegre Nov. 2005. 164 – 172.

LÜDKE, M.; ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: E.P.U. - Editora Pedagógica e Universitária, 1986, p. 12.

LUFT, Celso Pedro. Mini Dicionário Luft. 20. ed. São Paulo: Ática, 2002.

MARCHESI, A. O que será de nós, os maus alunos? Tradução: Ernani Rosa. Porto Alegre: Ed Artmed, 2006, 192 p.

PALMONARI, Augusto. Os adolescentes - nem adultos, nem crianças: seres à procura de uma identidade própria. São Paulo: Loyola; Paulinas, 2004.

PIAGET, Jean. Estudos Sociológicos, São Paulo: Companhia Editora Forense, 1973.

RAMIREZ, F. C. Condutas agressivas na idade escolar. Amadora: McGraw Hill, 2001.

REIS, Linda G. Produção de monografia - da teoria à prática: o método educar pela Pesquisa. 2. ed. Brasília: Senac DF,2008.

SIMMONS, R. Garota fora do jogo: a cultura oculta da agressão entre meninas. Rio de Janeiro: Rocco, 2004.

VELHO, G. Violência, reciprocidade e desigualdade. In: VELHO, G.; ALVITO, M. (Orgs.). Cidadania e violência. 2. ed. Rio de Janeiro: Editoras UFRJ/FGV, 2000. p. 11-25.

ANEXO

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS

LICENCIATURA EM INFORMÁTICA

Este questionário faz parte de um estudo sobre a violência no ambiente escolar que servirá como fonte de pesquisa para o meu trabalho de final de curso. Sua ajuda em respondê-lo é de fundamental importância. Não precisa se identificar.

1- Você percebe atitudes de violência aqui na Escola?

( ) sim ( ) não

2- Você já sofreu algum tipo de violência na escola?

( ) sim ( ) não

Como foi?¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬-___________________________________________________________

3- Quais os atos ou situações mais comuns que ocorre na escola você enquadraria como prática de violência? ___________________________________________________________________

4- Você acha que esse tipo de comportamento, ou seja, violência pode trazer conseqüências para os alunos envolvidos? ( ) sim ( ) não

Se achar que sim, quais?_____________________________________________

5- Quando alguém age com violência na escola, o que os professores, funcionários e direção fazem em relação ao agressor e à vítima?_____________________________

____________________________________________________________________

6- Você se sente seguro na sua escola? Não sente medo de ser agredido?

____________________________________________________________________

7- Você já ouviu falar em BULLYING?

( ) sim ( ) não

8- Você sabe diferenciar o fenômeno Bullying de outros tipos de violência?

( ) sim ( ) não

9- As atitudes agressivas comumente são mais praticadas por meninos ou meninas?

( ) menino ( ) menina

10- Em sua opinião quais as principais causas de violência na escola?

__________________________________________________________________

11- Já houve algum problema de violência que foi necessário, ser acionado a policia?

( ) sim ( ) não

12- O posicionamento dos professores em sala de aula tem inibido ou estimulado atos de violência?

13- A violência na escola interfere no trabalho da escola e no desenvolvido do aluno? De que forma?___________________________________________________________

Acadêmico: Josimar f. Moreira